Mano Brown ilustra capa da edição de março da ELLE Brasil

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Às vésperas de completar 51 anos, Mano Brown, sempre avesso à exposição em revistas, ilustra uma das cinco capas – e também o recheio – do volume 03 da ELLE Brasil, que chega às bancas, livrarias e às plataformas digitais nesta sexta-feira, 12. A publicação celebra os 50 anos de carreira do fotógrafo Bob Wolfenson, que, além do rapper, também clicou outros ícones da música, da moda e das artes cênicas: Anitta, Carol Trentini, Maria Bethânia e Taís Araújo. Em entrevista exclusiva à repórter Ísis Vergílio, Mano Brown revisita o passado e dá a sua visão sobre o presente. De coração aberto, Mano fala sobre música, sonhos, ancestralidade e governo Bolsonaro. Uma conversa franca sobre o pretérito, o porvir e os “encontros” possíveis: com o País, o mundo e consigo mesmo.

“Eu era um nada a perder, uma barriga vazia da vida. Barriga vazia, mente vazia e o coração cheio de raiva. Em um rap novo meu, eu falo: ‘o que me incentivou a cantar foi a fome’. Quando a gente [do Racionais MC’s] ganhou um concurso no Asa Branca, catamos o prêmio e fomos pro McDonald’s comemorar, tomar o tão sonhado milk-shake de morango, eu e o [Ice] Blue. O Blue é meu parceiro de dividir o pacote de bolacha debaixo de chuva na Praça da Bandeira. Aquele sonho de ser artista, de não morrer na mão do matador na Zona Sul, que era o que aconteceria comigo se eu ficasse lá no Capão [Redondo, periferia de São Paulo], esperando Deus mandar pra mim, entendeu?”, recorda.

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Composto por Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay, o Racionais MC’s é o maior grupo de rap do Brasil. Está entre os mais influentes da música. Temas como a brutalidade da polícia, do crime organizado e do estado, assim como o racismo, as drogas e a exclusão social da juventude preta das periferias são recorrentes. “Há quem só veja violência na música do Racionais, há quem só veja atitude suspeita, há quem só veja militância. Eu vejo tudo isso junto. Tem uma atitude suspeita? Tem! É subversivo? É! Mas também é romântico, é sonhador, entendeu? Tudo isso é o Racionais. Pode errar porque tem coração, tem sentimento, está falando da nossa mãe, nossos primos, nossos parceiros. Agora, nas últimas músicas, eu falo de filhos, entendeu? Acompanhando o time, a batida da vida: Racionais é isso”, contrapõe.

Não é somente Mano Brown quem está com o “coração mais leve”. O Racionais MC’s, nas palavras do rapper, está mais “iluminado.” O novo set list, sem alusões ao machismo, é uma evidência indubitável. “Dentro do Racionais, a gente conversa muito, e teve um momento de iluminação geral. De repente, a gente olhou pro lado, um já tinha uma filha de 13. Outro já tinha uma filha de 12, outro tinha uma filha de 15. Aí, opa! Como assim? Minha filha, não! Minha filha, não, então, a dos outros também não, né? A abordagem muda e não foi em cima de cobrança, não. Foi iniciativa nossa: ‘não vamos mais cantar essas músicas porque não tem nada a ver. A gente tinha 20 anos, não entendia nada’. As pessoas gostam das músicas, mas a gente não vai cantar mais essas coisas, entendeu? Se vira, mano! Manda um piii! [apito para conteúdo impróprio] DJ solta um efeito em cima, mete um silêncio, mete o louco, manda uma estátua, mas não canta o barato”, conta.

Na entrevista exclusiva à ELLE Brasil, Brown revela estar apaixonado pela sua ancestralidade etíope, descoberta em exame recente de DNA, que acabou de fazer para conhecer a origem paterna. “Estou nessa busca a essa altura da vida, de coisas básicas que eu não tive na adolescência: família, raiz, saber de onde veio, entendeu?” À repórter Ísis Vergílio, o rapper também não se esquivou de falar sobre os ciclos políticos brasileiros e sobre o governo Bolsonaro. “Acho a atuação dele na pandemia desastrosa. Desastrosa”, dispara Mano Brown. “Agora, ele foi eleito pelo voto do povo, entendeu? Isso é fato! O povo elegeu esse cara, falando as coisas que ele falava, reagindo da forma que ele reagia, né?”, observa.

Edição comemorativa – A nova edição de ELLE Brasil em homenagem a Bob Wolfenson ainda traz no recheio uma megaensaio de 70 páginas do aclamado fotógrafo com outros nomes consagrados: Luiza Brunet, posando nua, Jesuíta Barbosa (idem), Jojo Todynho, Debora Bloch, Zé Celso Martinez Corrêa, Laura Neiva e Chay Suede, além de uma série de convidados especiais. Histórico, o exemplar chega com outras entrevistas exclusivas que prometem causar: Anitta falando sobre abuso sexual, cirurgias plásticas, polêmicas e cultura do cancelamento; Maria Bethânia revelando detalhes do novo álbum de inéditas, sua relação com a moda, medos, fé e a conexão com Caetano Veloso; os artistas plásticos Vik Muniz e Maxwell Alexandre papeando sobre origens, religião e arte; e Bob Wolfenson expondo curiosidades sobre seus 50 anos de carreira ao amigo de adolescência Serginho Groisman.

“Esta é uma edição cheia de significados e talvez a mais histórica que já concebemos. A começar pelo fato de que, há um ano, anunciávamos com certa inocência e bastante entusiasmo a volta da ELLE ao Brasil. Não fazíamos a menor ideia de que, exatamente na mesma semana, o mundo inteiro entraria em colapso por causa da pandemia. Apesar de tudo, estamos aqui e isso, além de um grande privilégio, é motivo para alguma felicidade. E é por isso que, para comemorar um ano de ELLE, o grande homenageado desta edição é o fotógrafo Bob Wolfenson, que em 2021 comemora 50 anos de carreira”, conta Susana Barbosa, diretora editorial da ELLE Brasil.

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Simony Maiahttps://www.thehypestuff.com/
Estudante de jornalismo. Apaixonada pela cultura urbana e fotografia.

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